quarta-feira, junho 11, 2008

camionistas ou rufias?


Greve?
não sei de nenhum sindicato que a tenha convocado.

Piquetes pacíficos que apelam à paralisação dos colegas?
declarações de um camionista do piquete para outro: "podes seguir, mas por tua conta e risco. se te partirem o camião todo, não te queixes..."

um mártir que morreu na luta?
é impressão minha ou morreu porque se pôs à frente do camião de um companheiro de profissão impedindo a sua liberdade de iniciativa económica?

Declarações de um grupo de camionistas: "é uma manifestação pacífica e não queremos prejudicar ninguém".
Camião que transporta, com escolta policial, medicamentos para hospital, apedrejado.
Declarações de um camionista: "ah, se soubessemos que tinha medicamentos, não tinhamos mandado pedras..."
Mas, então, não eram livres de seguir todos aqueles que quizessem?

luta por todos os camionistas?
então e os doze camiões que foram queimados durante a noite?

Meus amigos, os motivos até são compreensiveis e a luta pode ter um motivo justo.
agora, a partir do momento em que se tornam num grupo de rufias a querer fazer a lei pela força, eu pergunto, onde é que estão as forças de intervenção, e porque é que ainda não carregaram sobre eles?
é que isto já não tem nada a ver com greve ou com qualquer direito constitucional de manifestação.
Tem a ver com, no mínimo, um exercício de abuso de direito levado a cabo por um grupo de milicias que se auto-justificam com o preço dos combustiveis.

tudo bem que o preço está caro e eu sei o que eles sofrem com isso. afinal de contas, também o meu pai trabalho no sector dos transportes, mas será que estas atitudes justificam o pedido deles de gasóleo profissional 4 a 5% mais barato?
se eles só pedem isso e vão à sua vida, reduzam-lhes lá o imposto sobre os combústiveis.

com duas ou três actualizações de preço por parte da galp, estão outra vez paralisados... mas eles é que sabem...

meus senhores, querem fazer uma manifestação que obdeça aos tramites legais, legalmente convocada e lutar pelos vossos direitos, eu apoio.

Agora, se querem alcançar os vossos objectivos através da paralisação forçada dos companheiros que querem e etem o direito de trabalhar, se querem apedrejar os vossos colegas que transportam medicamentos e bens essenciais, se querem andar a incendiar camiões de colegas que escolheram não aderir ao vosso boicote, e no fim, dizer que é tudo pacífico, meus caros, TODOS PRÓ CARALHO.
Vou-me rir como um perdido quando as forças de intervenção carregaram sobre vocês...

segunda-feira, junho 02, 2008

domingo, junho 01, 2008

Banda sonora da Semana

Quem esteve lá, percebe...

quarta-feira, maio 28, 2008

agenda cultural...

7:30 - toca a acordar
8:05 - sair de casa, apanhar transito, maldizer da minha vida
8:35 - café, na faculdade, palheta com os amigos, ler o horóscopo, dizer palhaçadas
8:50 - pensar porque é que estou ali
8:57 - lembrar-me e procurar a sala de aulas
10:01- dirigir-me ao bar. acabaram as aulas e preciso do pequeno-almoço (um rissol e uma cerveja), palheta com os amigos
10:26- mais cerveja. houve alguém que pagou um rodada. beber cerveja até à hora do almoço
13:34- almoço. não esquecer de acompanhar com cerveja
14:57- café, depois, peço mais umas cervejas
16:30- continuo a beber cerveja. é importante não perder o ritmo
17:45- sair da faculdade, ir para casa trocar de roupa e ficar preso no ínicio da hora de ponta. maldizer da minha vida
19:34- chegar à faculdade. beber uma cerveja antes do jantar
20:58- chegar ao restaurante. bebi mais umas cervejas do que o suposto
21:30- começar a jantar. antes, bebi umas cervejas porque não sou um grande amante de sangria e não gosto de fazer misturas. ainda fico bebedo...
0:017- o pessoal está um bocadinho com os copos. não sei se aguentam com mais umas cervejinhas em cima
0:45 - entrada na festa da cerveja. correr para o bar e pedir cerveja
1:35 - sentir-me um pouco tonto. deve ter sido algo que comi
2:23 - a cerveja não para. grande confusão
3:12 - ficar sem tabaco. fodasse... cravar a alguém um cigarrito que isto está a ficar atróz
4:20 - a festa fecha. ser posto fora pelos seguranças. importante proteger as partes baixas
5:23 - ficar na palheta no jardim da universidade. importante ter cuidado onde vomito
6:02 - adormecer na relva. não me esquecer de por os oculos de sol
8:12 - ser acordado pelos polícios de giro. evitar ir para a esquadra porque tenho de esperar pela banda
8:35 - sandes de presunto e uma cerveja. um bom pequeno-almoço é fundamental para aguentar o dia. já agora, três redbull de tacada
8:45 - chega a banda. os idiotas estão atrasados. não sei se lhes vou pagar
9:01 - começar a invador salas. ser araastado para as mesmas e insultar o corpo docente
10:47 - amdar a dançar e cantar. acender um cigarro dentro de um recinto fechado. levar na boca do segurança
11:35 - beber mais umas cervejas
13:01 - a banda vai-se embora, abraçar toda a gente e começar a chorar. importante abraçar só as miúdas
14:45 - encontrar um taxi e ir para casa. importante chorar no táxi. gastei todo o dinheiro do táxi em cerveja. levar na boca do táxista
15:07 - chegar a casa. ir à casa-de-banho. importante não adormecer na sanita
15:15 - adormecer para só acordar no sábado. importante ter aspirinas e muita água com gás ao pé da cama para quando acordar

sábado

13:56 - acordar. sentir-me culpado, com dor de cabeça e interrogar-me porque é que estou algemado à cama
16:29 - começar a estudar. vêm aí as orais...

sábado, maio 24, 2008

bolas...

hoje, acordei bem-disposto.
na verdade, acordei extramamente bem-disposto, com vontade de fazer algo em grande.
saí da cama e decidi fazer algo que marcasse. decidi fazer uma tatuagem. uma daquelas bem grandes, que me ocupe as costas todas e se prolongue por uma perna. sim, acho que isso era comemorar o dia em grande. ou isso, ou comprar um carro. também era boa ideia. um clássico, descapotável, daqueles bem rápidos e extramanente desconfortáveis para que só eu conseguisse apreciar a máquina.
então, levantei-me e foi o que fui fazer: fui comprar o jornal...
bem, pode não ser uma decisão tão dispendiosa como as anteriores, mas atenção, fui compara o jornal de carro. logo, também já pode ser considerado uma loucura. com os preços a que os combústiveis andam, até pode ser considerada uma manifestação de riqueza...
bem, agora que um homem já tem o seu jornal, com este solinho que faz, o que sabia bem era ir lê-lo para uma esplanada, daquelas muito giras, no meio de um qualquer jardim, bem no centro da cidade.
ora, isso é que é uma boa ideia.
sentar-me a contemplar um jardim , ao sabor de um cafézinho, enquanto leio o jornal e me passam miúdas giras pela frente ao mesmo tempo que bate o sol na cara.
bolas que eu até me espanto com as boas ideias que tenho.
claro, eu tenho tantas boas ideias como azar nesta vida.
mal saio do carro e me dirijo para a bela da esplanada... começou a chover.
lá se foi o café, lá se foram as miúdas giras, lá se foi o sol na cara.
bem, uma vez que ainda tinha o jornal, se calhar, é mais seguro ir lê-lo para casa. sim, ao menos lá não tinha chatices.
mas o que fiz eu, meu deus?
é que mal um homem chega a casa para ler o seu jornal, olha para a janela e lá está o céu limpo outra vez e as nuvens voltaram a desaparecer...
acho que vou sair outra vez...

quinta-feira, maio 22, 2008

crónica de um dia seguinte...


citando um colega de faculdade, "às vezes, gosto de apanhá-las"...
a única chatice de apanhá-las é a sensação no dia seguinte.
não me refiro à dor de cabeça, ou sequer ao desconforto da ressaca.
refiro-me à sensação de inutilidade que sinto quando, a caminho de casa, vejo pessoas a sairem para ir trabalhar, a inutilidade de acordar bem a meio da tarde e reparar que todo o dia está perdido.
é esta inutilidade que sinto quando as apanho.
não consigo evitar.
até posso, antes de ter ido beber uns copos e festejar alguma coisa com os amigos, ter tido um longo dia de trabalho. até posso estar a festejar o fecho de um ciclo e o ínicio de um novo projecto. até posso não ter de ir trabalhar no dia seguinte.
em qualquer dessas hipoteses, continuo a sentir-me um inútil.
acordo, e fico mais um pouco na cama. olho para a janela e vejo que o dia começou sem mim. não é agradável, mas que gosto de apanhá-las, isso gosto...

segunda-feira, maio 19, 2008

saídas profissionais???


quem diria que era preciso um curso superior para isto?
quem diria que seria esta a vida que eu tinha à minha espera?
pois é, a vida dá muitas voltas.
umkas, são boas. outras, nem por isso.
umas vezes, a vida dá para nos apaixonar-mos. outras, vezes, dá para ficarmos na merda.
a vida dá para alcançar-mos o tecto do mundo, e, às vezes, dá para ficarmos bem lá em baixo.
é assim a vida.
agora, nunca diria que a vida daria tantas voltas que teria a mesma profissão que o meu pai.
não tem nada de mal. é honesta, paga as contas e não é preciso ter vergonha de ninguém.
de facto, da humilde profissão do meu pai, aprendi que temos que respeitar a todos. afinal de contas, nunca sabemos onde vamos estar nem com quem precisaremos de contar no futuro.
é uma profissão humilde, mas paga as contas.
é uma profissão de trabalho, mas é pôs-me na faculdade.
de facto, o meu pai nunca se queixou da despesa que era ter-me aqui.
sei que teve alturas dificeis, sei que teve alturas complicadas em que teve de cortar em certos luxos, mas nunca mo disse.
o meu pai nunca me demonstrou que estava a passar dificuldades.
talvez não me quisesse preocupar com isso. talvez fosse demasiado orgulhoso para demonstrar que a minha estadia em lisboa estava a ser penosa para a família, talvez não quisesse admitir que para eu estar, aqui, a comer bifes, ele estava a comer sopa.
não sei porque o fez, mas sei que o fez, e sei que sempre continuou orgulhoso de eu estar num curso de direito.
sei que falava às velhotas que transportava do orgulho que tinha de ter um filho na faculdade, de ter um filho que seria advogado.
o meu pai é assim: nunca mo disse directamente, porque não era o jeito dele dizer que tinha orgulho nos filhos. eu compreendo isso,mas dizia-o aos outros: "o mu filho está a estudar para ser advogado".
o meu pai é assim, e é por isso que tenho orgulho nele, e talvez seja por isso que ele tem orgulho em mim.
contudo, acho que não vou poder dizer ao meu pai que, alguma vez, serei advogado.
não é isso que vou fazer. não foi isso que a vida me reservou.
contudo, posso, e digo-o, neste momento da minha vida, depois de quase ncinco anos de curso que estão a acabar, tenho orgulho de ser como o meu pai.
tenho orgulho de seguir as suas pisadas.
hoje, dia 19 de maio de 2008, posso dizer, tal como o meu pai, que tenho orgulho em, ao acabar o curso, ser "taxista".

quarta-feira, maio 14, 2008

frase do dia:

"onde estão os fetos mortos?"

segunda-feira, maio 12, 2008

domingo, maio 04, 2008

terça-feira, abril 29, 2008

Como conquistar o coração de uma mulher...

Não resolvas tudo com ignorância;
Não cuspas no chão;
Escova os dentes;
Não coces o saco à frente dela;

Dá-lhe flores e muitos... muitos presentes. Aliás, dá só
presentes caros;
Levanta a tampa da sanita antes de mijar. E lembra-te de

A abaixares depois;
Lava as mãos quando saíres da casa de banho;
Não mastigues de boca aberta;
Não arrotes alto. Aliás, não arrotes;

Não te peides sob o cobertor. Aliás, não te peides.
Não palites os dentes em público;
Faz a descarga antes de saíres da casa de banho;
Corta e limpa as unhas. Não roas as unhas;
Não fales mal da mãe dela. Aliás, ama a mãe dela;
Usa desodorizante (que preste);
Não digas palavrões;
Ri-te sempre das piadas dela;

Não sejas engraçadinho com os outros;

Não tenhas ciúmes dela;
Deixa-a ter ciúmes de ti na medida que ela quiser;
ela pode;

Não fiques barrigudo. Aliás, não engordes;

Não te demores no banho;

Não molhes o chão da casa de banho, nem deixes a
toalha de qualquer maneira;

Não te sentes à mesa em tronco nu;

Não digas que as mulheres não sabem conduzir

(guarda essa verdade para ti);
Não tenhas chulé;

Não chegues tarde a casa. Aliás, sai só para
trabalhar e volta a correr;

Não bebas até tarde com os teus amigos. Aliás, não
tenhas amigos e nem penses em ter amigas;

Não seja sovina e dá-lhe pelo menos dois cartões
de crédito;

Não olhes para outras mulheres. Aliás, não existem
outras mulheres;
Não fales da tua ex-namorada. Aliás, tu nem tiveste
nenhuma antes dela;
Não comentes as tuas experiências sexuais. Aliás,
eras virgem, lembras-te?

Diz "Eu amo-te" pelo menos 24 vezes por dia;
Aprende a cozinhar;
Lava a louça;
Faz a cama, sempre;
Liga para ela, de qualquer lugar;
Deixa-a comprar roupas e sapatos sempre que ela
quiser. Aliás, ajuda-a a andar durante horas à

Procura de roupa nova;
Deixa-a conversar durante horas ao telefone;
Nunca a convides para namorar, só para fazer amor.

E faz isso com moderação e cuidado redobrado;
Discute sempre o relacionamento, mesmo que não
tenhas o que discutir;
Não ressones;

Não gostes de futebol;

Faz a barba todos os dias para a não arranhares;

Apaixona-te pelos parentes dela, até os chatos;
Passa os fins-de-semana em casa, com a tua sogra e
o seu cunhado;
E ri sempre das piadas dele;
Nunca reclames de nada;
Trabalha pouco e ganha muito dinheiro, para poderes
dá-lo todo a ela;
Diz a todo momento que ela é a mulher mais linda
que você já viste;
Elogia-a sempre quando ela vestir uma roupa, mesmo
que seja de todo dia;
Repara quando ela cortar o cabelo, mesmo que seja
apenas as pontinhas, e diz sempre que ficou lindo

segunda-feira, abril 28, 2008


estou em luta comigo mesmo.
em luta para não te ligar.
em luta para não pegar no carro e ir ter contigo, em luta para não estar contigo.
todas horas me vejo pegar no telefone e escrever o teu número.
não acabo de fazer a chamada, mas está aí todo o desejo de falar contigo.
quero falar contigo, quero ouvir-te, quero fazer parte da tua vida, mas não o faço.
escrevo o teu número e apago-o.
não é que não te queira ouvir, não é que não tenha tanta coisa para te dizer.
mas sei que não o queres ouvir.
sei que não me vais responder, sei que não queres que te diga aquilo que eu quero dizer.
daí, para quê ligar-te, se será só um telefonema de cortesia?
mas eu quero dizer-te as coisas, quero que as sintas como eu sinto, quero que ... quero.
daí não te telefonar, mas acredita que tenho esse vontade dentro de mim.
tenho esse desejo de estar contigo e tenho o peito a rebentar por não o poder fazer.
quero fazer parte dessa tua vida da qual me pões fora, quero fazer parte de ti.
por isso, não te telefono, porque não é aí que tu me queres, porque não é isso que tu queres ouvir, não é isso que tu queres...

quinta-feira, abril 24, 2008

à espera

é esta indefinição que acaba comigo.
não sei para onde me virar. será que ligo? será que não ligo?
passo a vida a olhar para o raio do telefone, mas não me traz boas notícias.
na verdade, nem boas, nem más.
e eu à espera.
à espera de não sei bem o quê.
talvez seja necessário um pouco de paciência, não sei, mas será que a consigo ter?
é isto que acaba comigo. é isto que me tira a pouca sanidade que ainda tenho.

domingo, abril 20, 2008

aspirations


será que tudo aquilo que queremos reside numa birra?
será que tudo aquilo que queremos se deve a uma questão de orgulho?
será que não podemos perseguir algo porque, simplesmente, acreditamos que é o caminho da nossa felicidade?
será que não podemos gostar de algo, ou de alguém, simplesmente porque gostamos?
terá de ser tudo por causa do nosso orgulho, do nosso ego ferido?
eu não acredito nisso.
pode haver quem acredite que tudo na vida dos outras, ou mesmo na nossa, se resume a um troféu.
contudo, não sou assim. não é desse forma que vejo as coisas, nem tão pouco como as sinto.
sou movido pelos sentimentos, sou movido por aquilo que me faz feliz.
eu busco essa felicidade. nada mais.
nãoa busco por buscar, nem a descartarei quando alcançar.
eu busco aquilo que me faz feliz e aquilo que gosto, que desejo, que amo.
será assim tão complicado de perceber?
será assim tão complicado de entender que não quero nada por querer, mas porque isso me faz falta, e porque eu posso fazer falta.
quero fazer falta, quero amar e ser amado.
não é um objectivo em si. é um caminho, e é um caminho que eu persigo sem ver como um troféu a alcançar.
é muito mais que isso, é muito para além disso.

quarta-feira, abril 16, 2008

o abraço


ele olha para ela.
ela olhou para ele.
no meio dos dois, apenas uma um campo e uma linha de comboio.
não interessa, pois ele sabe o que o espera quando chegar até ela.
mesmo sem ter ainda chegado, ele já sente os beijos e as carícias, já sente o seu calor e já lhe vem aos dedos o doce tacto da sua pele.
ainda sem a tocar, já a tocou.
ela olha para ele e lembra-se de como é sentir-se amada. fecha os olhos e sente a sua boca a laber-lhe o pescoço enquanto fecha os olhos e sente o seu doce aroma.
correm um para o outro.
a distância não importa. começam a correr um para o outro, começam a correr para o mundo que sabem que os espera, correm para a felicidade que nunca vai acabar. não interessa o quanto tem de correr para se tocarem, eles já o fizeram, já sentiram as carícias, já sabem que vai valer a pena.
só não percebem como estavam tão afastados, não percebem como foram para àqueles extremos, um sem o outro, vendo-o, mas não chegando até ao outro.
já não interessa, agora vão estar juntos, vão ser felizes.
continuam a correr, não sentem cansaço, não sentem dor, não sentem o suor que lhes salta do corpo.
eles já não sentem isso, só sentem aquilo que está para vir.
então correm e correm e correm.
correm até que ele chega à linha.
tropeçou e ficou prostrado no chão.
ela pára, leva as mãos à cabeça e descansa.
ele levanta-se e fica a olhar para ela, como se estivesse a admirá-la pela iltima vez antes de ser sua.
abre os braços e espera que ela lhe corresponda.
ela sente o gesto. começa a correr para ele de braços abertos.
ele continua à espera, vendo-a a correr para ser sua, só sua.
ela aproxima-se, ao que ele já mal aguenta com a antecipação, vai ser agora que vai encontrar a felicidade.
está quieto só tem de esperar, o amor vai cair-lhe no colo.
é agora, é a felicidade a invádi-lo.
solta um grito de contentamento mal conseguindo conter-se ao vê-la chegar até ele.
ouve-se um barulho,
o comboio passou-lhe por cima...

quarta-feira, abril 09, 2008

temporal lá fora!


gosto deste temporal qe se arrasta pela cidade.
posso não gostar muito da chva a molhar-me a roupa que teima em não secar, mas gosto de sentir a chuva a bater-me na janela, quando está escuro lá fora, gosto de ouvir a chuva cair-me em cima do carro enquanto conduzo para nenhum lugar em especial.
ste mau tempo faz-nos sentir aconchegados quando o vemos de fora, faz-nos acalmar enquanto estamos cá dentro.
de fora deste rodopio da natureza, daquela força que destrói e leva tudo à frente, sinto-me calmo, sereno.
gosto...

quinta-feira, abril 03, 2008

sabem?


sabem o que acontece quando queremos dar algo a alguém que não quer receber?
não damos. vai para o lixo.
sabem o que acontece àquele algo que alguém não não o queria receber?
é levado pelos técnicos de recolha de resíduos (os homens do lixo).
sabem para onde vai algo que alguém não queria receber?
vai para a lixeira.
sabem o que acontece na lixeira?
como ainda existem poucas pessoas que acreditam na reciclagem e na reutilização, o mais provável é ficar a apodrecer.
sabem o que é que acontece depois de apodrecer?
desaparece.
sabem o que acontece quando desaparece?
deixa de haver, deixa de existir, acabou.
sabem o que acontece à pessoa que não queria receber quando se apercebe que afinal quer esse algo?
fica sem nada, porque já não há nada para receber.
saber o que acontece à pessoa que queria dar a alguém que não queria receber?
fica sem algo para dar. já não tem algo para dar, seja a quem for.
sabem o que acontece quando aparecer alguém que quer receber?
também não vai receber pois foi algo que apodreceu. ninguém o recebeu nem ninguém poderá voltar a recebê-lo.
é a chatice de sermos efémeros: é que aquilo que nós temos para dar não dura para sempre. aquilo que temos para dar é frágil e não aguenta muito quando é posto no lixo.
ao fim e ao cabo, acabamos todos sem nada.
acabamos vazios.

domingo, março 30, 2008

o casino da vida...


há coisas na vida que acabam por ser um pouco como ir ao casino.
pessoalmente, gosto de dar um saltinho ao casino.
acaba sempre por ser para ir tomar um cafézinho, mas, estando onde estou, acabo sempre por dar uma voltinha pelas salas lá de cima.
"só vou dar uma olhadela", pensamos nós, enquanto subimos as escadas, tentando convercer-nos que somos melhores que os outros, que aquela ideia de felicidade instantânea não nos vai afectar.
mas, olhando para toda a gente com dinheiro e fichas na mão, acabamos sempre por ir ter à roleta, ou a uma máquina. "oh! já sei que não vou ganhar nada", pensamos para não nos iludirmos demasiado. afinal de contas, a vida vive-se melhor se não tivermos muitas expectativas.
então, convence-mo-nos que não vamos ganhar, que aquele dinheiro já está perdido e só nos vamos distrair um bocadinho.
é esse o erro da maior parte das pessoas, eu incluído: pensamos que controlamos a situação, pensamos que controlamos aquilo que sentimos.
assim, metemos a nota na máquina e começamos a jogar.
à primeira, ganha-se sempre e começamos a esboçar um sorriso nos lábios. "estou a ganhar, estou feliz, isto vai durar para sempre", mas não é assim que acontece.
vem as contrariedades e começamos a perder, tanto aquilo que já tinhamos ganho,, como aquilo que nóis investimos.
sentimo-nos frustados quando vemos o nosso crédito a zero.
já não levamos o nosso prémio para casa, nem sequer algum peso que traziamos na carteira.
no fundo, ficamos vazios.
voltamos desanimados para casa, sozinhos e apenas com aquela sensação que era quase ali que seríamos felizes.
de repente, aqueles sentimentos nos quais somos os reis do mundo, em que somos bons, em que somos felizes, desvanecem.
passamos um bom bocado que já passou, mas ficou caro. foi uma ilusão bonita, mas acabou.
mas aquilo que é mais gritante não é isso. é o facto de sairmos de lá, olhando para tras, vendo o casino e pensar que não voltaremos lá. afinal de contas, perdemos e de uma forma rápida. nem sequer deu tempo de sonhar um bocadinho.
o casino consome-nos e deita-nos fora.
mas, apesar disso, nós não conseguimos abandoná-lo. saímos de lá, juramos que nunca mais. muitas vezes, até nos tentamos controlar, mas acabamos por voltar lá.
já devíamos saber que continuamos a não ganhar, mas não resistimos.

outras coisas na vida são exactamente a mesma situação.

terça-feira, março 25, 2008

segunda-feira, março 24, 2008

despedida?


odeio despedidas.
não necessáriamente porque aquele(a) de quem nos despedimos se vai embora, mas porque...se vai embora.
quando alguém parte, fá-lo por uma, ou por várias razões.
partimos sempre por algo melhor, seja uma carreira, seja uma casa, seja uma relação, seja, pura e simplesmente, uma nova vida.
é isso que normalmente temo.
eu já me despedi e outros já se despediram de mim.
é isso que eu temo, e acredito que tu também.
é aquela altura do medo. o medo de não conseguirmos aquilo que queremos, o medo de não encontrarmos aquilo que estavamos à espera, o medo da saudade ou, ainda, o medo de encontrarmos tudo aquilo que esperavamos e já não querer voltar.
são esses os medos de quem parte.
então e os medos de quem fica?
bem, na verdade, não devíamos ter medo.
despedimo-nos de alguém, mas pelos bons motivos.
devemos estar felizes por aqueles de quem nos despedimos.
assim como nós tentamos encontrar a felicidade, também os outros tem esse direito e não somos nós que lhes podemos mostrar como se faz.
na verdade, não tenho medo de me despedir de alguém e essa pessoa venha a ser feliz.
espero, sinceramente que o consiga, assim como espero que se realize tudo aquilo que te contei entre piadas acerca da tua nova vida.
as piadas sempre foram uma forma de eu enfrentar os meus medos.
mas sim, tenho algum medo. não o medo como quem parte, mas o medo de quem fica.
é aquele medo que as coisas mudem, que já não voltam ao que fomos.
sei que as coisas mudam. acredito que a mudança é necessária.
é só aquele medo que mudem demasiado, o medo de nos encontrarmos na rua e não nos reconhecermos.
pior, o medo de nos encontramos e não ter nada para contar.
é esse o meu grande medo.
confio que não vá acontecer.
acredito que já não vamos falar das mesmas coisas. ambos crescemos, seguimos rumos diferentes e vamos ter experiências distintas, mas quero continuar a poder falar delas contigo, e ouvir as tuas.
espero sinceramente que ainda te rias de quando te conto as minhas "aventuras", assim como espero continuar a levar com aqueles comentários.
sei que não vão ser tão frequentes.
talvez já não possa ser aquele café sazonal, mas sei que o vamos continuar a cumprir.
talvez de mais tempo a tempo. talvez com outras companhias, as tuas e as minhas, talvez já não usemos um carro branco, meu ou teu, mas espero que os continuemos a tomar.
agora, em relação aos teus medos, são legítimos.
é sempre difícil mudar de vida e ir para longe.
há sempre medos da incerteza, que as coisas mudem ou que sintas que já não é a mesma coisa.
contudo, há sempre uma coisa que não vai mudar, há sempre algo com que podemos sempre contar e que vai estar sempre lá à espera:

O SÍTIO DO COSTUME.

Boa Viagem