quarta-feira, julho 25, 2007


nunca o meu nome junto a um número tinha feito tanto sentido.

nunca, numa situação destas, me tinha sentido com uma energia tão forte.

consegui. cumpri aquilo que me tinha imposto a mim mesmo e, acima de tudo, não desiludi aqueles que depositaram a sua confiança em mim.

foi aí que não me apeteceu festejar. pelo menos, festejar da forma que sempre faço.

meti-me no carro e meti-me na auto-estrada. eram 400 kms, estava cansado, ainda não tinha comido nada, mas isso não me demoveu. fiz-me à estrada com o desejo de aproveitar o pouco tempo que tenho, com o desejo de abraçar a família, de ver os amigos e de, acima de tudo, voltar a ver a minha terra, voltar às minhas origens, sentir-me integrado, de novo.

o cansaço era grande, mas também o era a vontade de ver a terra que me criou.

admito que o carro voou e nem o medo das multas me demoveu. eu ia continuar até chegar pois tinha que festejar.

não era apenas um festejo comum.

era o festejo que nunca tinha sentido na vida. era a sensação de dever cumprido. o sentimento que alcancei todos os meus objectivos.

era esse sentimento que me movia, assim como era ele que me trazia uma sensação estranha. não era aquilo o fim. é apenas o começo de algo muito maior. é o surgir de novos objectivos. é o nascer de novas ambições.

contudo, era um sentimento tão forte que não me deixava pensar direito. era um sentimento que me pôs a chorar.

não eram lágrimas de dor, não eram lágrimas de trsiteza,mas eram as minhas lágrimas de vitória. as minhas lágrimas de contentamento. as minhas lágrimas de querer mais.

foi com essas lágrimas que esqueci, por momentos, todos os outros e que me fizeram olhar só para mim.

estava feliz. estava, não. estou feliz.

feliz pelo que atingi e, sobretudo, por tudo aquilo que ainda vou vou alcançar.

não obstante, ainda não estar nada acabado. na verdade, ainda mal começou, mas, mesmo assim, só um pensamento me acompanhou durante esses 400 kms:

"EU CONSEGUI."

segunda-feira, julho 23, 2007

Resposta ao Blog Ipsis Verbis

Cinco livros que me marcaram.

1º- " O Amor é fodido" de Miguel Esteves Cardoso.
Li-o numa altura em que me fez perfeito sentido e captou-me desde as primeiras linhas pois me identifiquei logo com a frustração do eu lírico. "Quem me dera que ainda estivesses viva. Apenas o tempo suficiente para te matar.

2º- "O maçon de Viena" de José Braga Gonçalves. Muito fiquei eu a pensar nas maquinações que se encontravam por detrás da reconstrução da Velha Lisboa. Ainda por cima, à altura em que o li, morava na Baixa Pombalina.

3º- "Apocalipse Nau" de Rui Zink. Por ser o fim anunciado do mundo numa perspectiva de quem, na verdade, o desconhece e, no Fim, nada realmente acontece.

4º- "O Fiel Jardineiro" de John La Carré. por ser uma história de amor intensa que se desenrola, depois, apesar, e acima da morte da mulher que ama. A prova que o amor não é algo instantâneo.

5º- "O evangelho segundo Jesus Cristo" de José Saramago. Por ser polémico e por trazer uma visão diferente dos dogmas que temos como certos.

Passo a desafiar outros cinco:

Meghy, do Blog Ambloguidades.blogspot.com
Muro das Lamentações,do blog palavrasquevoam.blogspot.com
Vera, do blog caliceporpura.logspot.com
bruno, do blog cenasdosamigosdobruno.blogspot.com
momentos, do blog maniadosucesso.blogspot.com

segunda-feira, julho 02, 2007

sem destino...

peguei no carro.
fiz-me à estrada. segui sem destino, sem local para ir. não era o meu objectivo chegar a lado algum, mas afastar-me de onde saí.
segui, segui, ao sabor do vento e ao som de uma qualquer canção. segui sempre, até o carro dar o berro. não fiquei chateado, não gritei. saí do carro e continuei a andar. andei até ao mar, onde entrei sem sequer tirar as calças.
porque o fiz?
não sei. não estava a fugir de nada. não estava a fugir dos meus problemas, não estava a fugir de ninguém. apenas cedi a uma loucura de chegar a lugar algum sem, sequer, pensar se conseguia voltar.
andei até o carro dar o berro. continuei a andar até não haver mais terra para caminhar.
o que tinha na cabeça? nada, com excepção de um vão objectivo de ir, de correr, de sair de um lado sem ter que chegar a outro.
conduzi, andei, nadei sem olhar para trás, sem pensar no passado e, muito menos, sem ver o futuro.
fui eu, no presente, o único tempo que realmente existe, a única altura que realmente importa, o único momento que realmente interessa.
sou doido?
talvez, mas também já fiz coisas "piores".
arrependo-me?
de absolutamente nada.
quis fazê-lo e fiz. sem pensar, sem reflectir, sem planear. simplesmente, fui.
fui livre por momentos. livre de regras, livre de destinos, livre de um passado e de um futuro que mais não existem que não na nossa cabeça.
fui livre de amor, fui livre de sofrimento, fui livre de mim próprio...
e, por momentos, deixei de ser aquilo que esperam de mim, deixei de ser aquilo que eu próprio exijo de mim.
por momentos, fui sem o ser.


ps: o carro está na oficina.

sexta-feira, junho 29, 2007

pequenas coisas...

um sorriso.
uma palavra.
um gesto.
uma companhia.
um abraço.
um beijo.
pequenas coisas.
serão essas pequenas coisas suficientes?
serão essas pequenas coisas o nosso contentamento?
ou será que devo procurar algo mais?
será que devo tentar alcançar uma nova barreira?
será que sei o que estou a fazer?
será que tenho certeza daquillo que sinto?será que tu tens a certeza daquilo que eu sinto?
será que há mesmo certezas?
será que há futuro?
será que temos presente?
será?
ou estarei a imaginar?
será que está tudo na minha cabeça?
ou, será que existe mesmo?

terça-feira, junho 19, 2007

"live free or die trying..."


a rotina mata-nos.

acordar,trabalhar,vegetar, dormir,acordar,trabalhar,vegetar,dormir.

não suporto a rotina. não suporto que aconteça sempre a mesma coisa, não suporto estar sempre preso ao mesmo compromisso.

a rotina acaba por nos matar, sabem?

talvez não mate tão depressa como uma bala e, provavelmente, também é mais lenta que um cancro. mas acreditem, embora o processo seja lento, o desfecho é rapido. acontece num ápice, tal como nos atirar-nos de um prédio abaixo.

a rotina é uma seca, a rotina é uma morte anunciada.

felizmente, é das poucas doenças, sim, eu acho que é uma doença, que tem uma cura quase miagrosa. quer dizer, desde que o "ser" (esta tem direitos de autor, mas não te preocupes que tos pago...) se aperceba que caiu nessa rotina e que queira fazer algo por si.

de facto, há muito boa gente, e alguma má, que cai na rotina sem, sequer se aperceber, e, depois, não consegue sair dessa situação.

criam uma tanta habituação a fazer sempre a mesma coisa, ir sempre aos mesmos sítios, estar sempre com a mesma pessoa que começam a acreditar que já se trata de amor.

na verdade, essa habituação não traz a felicidade ou o amor que essas pessoas pensam ter. apenas cria uma ilusão de que é o que se passa pois quando tomam consciência, se é que algum dia a vão tomar, que já não conhecem mais nada.

aí é que o ciclo vicioso estraga tudo. deixamos de ser (erróneamente) felizes, para nos tornarmos mártires de uma causa que nos toma a vida como baixas em combate, mas sem o sangue. esse já o perdemos a pensar que estavamos a viver.

dou-vos um conselho: fujam à rotina, sejam imprevisiveis e tornem-se pessoas diferentes, quiçá mesmo, felizes.

não custa muito. de facto, nem é preciso dinheiro para fugir à rotina. só precisamos de ter consciencia que "parar é morrer", que cair na rotina é cair num poço sem saída.

depois, só precisam da vontade de cometer uma loucura, de fugir de uma rotina que nos aniquila e apaixonar-mo-nos. apaixonar-mo-nos pela vida, por aquela pessoa especial que nos espera, quiçá, apaixonar-mo-nos por nós próprios, na falta de melhor termo.

saiam à rua, vejam o sol, vejam a lua, dancem à chuva, peguem no carro e guiem sem destino até ficarem sem gasolina e, depois, peçam boleia sem destino.

sejam imprevísiveis, sejam apaixonados, mas não se deixem matar por uma rotina que nos engana.

é que, um dia, no futuro, vamos olhar para trás. nessa altura,vão lembra-se de levar aquela vida enfadonha, rotineira, ao lado de alguém que pensamos gostar ou, antes, vão lembra-se que correram riscos, aterraram no mundo e transformaram-no na vossa ostra, que arriscaram sair da casca e alcançaram o sucesso e, mesmo que não o tenham alcançado, ao menos, tem aquela satisfação, aquele sorriso porque morreram a perseguir esse objectivo?

a escolha é vossa. eu já fiz a minha.

quarta-feira, junho 06, 2007

O MEDO...

há umas horas atrás, conversava com uma amiga. uma daquelas conversas sem grande sentido, maioritariamente para avacalhar, mas, no meio da conversa, surgiu um tema que me inquieta:"onde estaremos, daqui a 10 anos?"
sei que toda a gente acaba por se interrogar com questões destas, de uma forma, ou de outra.
aparecem num minuto e desaparecem no outro. no fundo, não lhes damos muita importância. porquê? bem, por um lado, porque se as nossas expectativas de sucesso no trabalho, no amor e na vida acabam por nos pôr com um sorriso na cara, no minuto seguinte, acabamos por perceber que isso, muito provavelmente, não passa de uma fantasia.
depois, começamos a interrogar-nos sobre se vai ser mesmo assim, ou, antes, se não vamos acabar na miséria, sozinhos e infelizes.
penso que isto seja normal, mas assusta-nos. quanto mais não seja, porque todos esperamos encontar o sucesso, fazer as escolhas certas e ser felizes, mas o ser humano é, por natureza, medroso, não gosta de arriscar e, dessa forma, é muito mais provavel que encontremos a vida mediana que não queremos.
temos medo disso. temos medo de falhar e, provavelmente, vamos acabar por falhar devido a esse medo.
o medo é uma coisa terrivel e é o que acaba por nos prender a uma realidade na qual não queremos viver.
é esse medo que nos leva a fazer a segunda melhor escolha, se é que isso existe.
é esse medo que nos prende a um chão poeirento e não nos permite voar mais alto.
é esse medo que não nos deixa arriscar em algo novo, por muito melhor que seja, porque não gostamos de sofrer desilusões, ou sequer, pensar que as podemos ter.
contudo, não lhe podemos chamar medo. a sociedade de coninhas que não arriscam não nos deixa. pensam que "conformismo" é uma palavra muito mais bonita.
como estão eles enganados.
o conformismo é a mesma coisa que o medo e é esse medo que nos leva a não alcançar os nossos sonhos.
basicamente, o meu ponto de hoje é muito simples: ARRISQUEM, NÃO TENHAM MEDO, E PODE SER QUE ALCANÇAM ALGO MUITO MELHOR.

sábado, junho 02, 2007

sinto...


sinto-me distante, inquieto, nervoso e preocupado com aquilo que sinto que não devo.

não sei porque é que me sinto assim. na verdade, se calhar, até sei, mas não percebo.

a minha vida não é má de todo. não tenho tudo o que quero mas, como diz o outro, "também não sou uma pessoa de posses".

contudo, não se justifica que ande a desperdiçar a minha vida, a ter ideias que não vingam e projectos que não levantam.

sinto-me cansado de ter algo na cabeça.

sinto-me farto de não conseguir ser feliz.

sinto-me sem forças por não estar nas minhas capacidades.

sinto os meus amigos a desvanecer e sinto-me a desaparecer da vista deles.

não por culpa deles, mas porque me estou a transformar.

sinto-me alguém que não sou.

sinto-me alguém de quem não gostaria, mas não tenho remorsos, não tenho emoções.

sinto-me, cada vez mais, como uma máquina.

mas não consigo sentir que isso seja mau.

não consigo sentir a alegria dos outros e sinto a paz com as suas agonias.

o que se passa comigo?

como é que eu paro isto?

como é que volto a ser quem era?

mas será que quero voltar a antigamente?

será que quero voltar a ser tolo?

será que quero voltar ao sofredor silencioso?

não sei. nem sei se quero saber.

sou um novo eu.

alguém mais confiante.

alguém mais perigoso.

alguém mais capaz.

não sei.

quero ter paz, mas será que, realmente a quero?

será que quero o que os outros querem?

ou será que quero o que mais ninguém pode ter?

não sei, e calculo que vocês também não...

sexta-feira, maio 25, 2007

"ai que tenho problemas"

ter problemas não serve de desculpa.

às vezes, as pessoas, a maioria delas, fazem coisas pouco sociais, não respeitam, passam à frente de uma fila de gente que espera.

às vezes, dão a desculpa de estarem com problemas, da vida delas "ser uma merda", de serem umas desgraçadas.

não sei bem porquê, não me interessa. "com os problemas dos outros, posso eu bem..." já diz o povo. e tenho que admitir, o povo está certo: todos nós temos problemas, todos nós temos que os enfrentar, ou viver com eles. caso todos dessemos uma desculpa de "ai que tenho problemas, a minha vida é uma merda, não sou feliz, ai que ninguém me curte...". meus amigos, e amigas, se a vossa vida é assim tão má, pá, matem-se, acabem com ela.

agora, não me venham dar a desculpa da vida ser uma merda para passar à frente de uma fila e ser cínico com aqueles que, de facto, respeitam.

eu sei, não é típico de mim andar a dar lições acerca de normas do trato social.

de facto, não é.

mas a resposta a isso é simples: egoísta como todos somos, não me interessa que não respeitem as filas, as regras de trânsito, a merda de um lugar no cinema. não admito é que me prejudiquem a mim por causa disso.

todos temos problemas e, sinceramente, estou-me a cagar para isso. é-me indiferente que tenham problemas, ou não. eu também os tenho e nem por isso ando a desrespeitar os outros.

mas, por acaso, é engraçado, com merdas como estas, ainda começo a pensar que ter problemas, pode ser a melhor coisa que acontece a uma caramelo. "ai que tenho problemas, vou passar à frente dos outros..." pá, os vossos problemas não me interessam e não se venham fazer de vítimas. se calhar os problemas não são o sinal de a nossa vida ser "uma merda". podem ser Karma, pode ser o destino a trazer até nós a merda que fizémos aos outros.

assim, se a vossa vida é assim tão má, bem, só vos posso dizer uma coisa: vocês não são obrigados a estar vivos.

segunda-feira, maio 14, 2007

fracture


este fim-de-semana fui ao cinema.

como podem adivinhar pelo título, fui ver o "fracture" , com sir anthony hopkins.

sinceramente, adorei o filme. melhor, adorei o enredo, melhor ainda, adorei a trama.

é daqueles filmes que nos prendem à cadeira porque mal acreditamos no que está a acontecer.

já era um grande fã de sir anthony hopkins, especialmente, pela inteligência da personagem "Hannibal". aqui, mais do que a sua inteligência, admiro o seu calculismo, o faco de balear a sangue frio, provocando-lhe morte cerebral, servir-se do amante dela para se ilibar e, depois, simplesmente, desligar-lhe a ficha cometendo homicidio qualificado perfeitamente lícito. admitamos, é brilhante.

na verdade, podemos dizer que todos somos um pouco calculistas.

que venha alguém dizer que não tem um plano qualquer para chegar a lado algum, que eu digo-lhe que é um mentiroso.

todos temos um plano, seja para ter sucesso, seja para controlar as massas, seja para cometermos o homicidio "licito". todos temos um plano, uma agenda que tencionamos cumprir.

não quero com isto dizer que todos o conseguimos. a maioria dos planos acaba por não se concretizar , ou por falta de coragem, ou, simplesmente, porque não somos tão bons como gostariamos de ser.

independentemente disso, todos queremos algo e já visionamos, na nossa cabeça, como o fazer.

agora, se o vamos fazer...

será medo? falta de coragem? respeito pelo próximo?

aqui, já todas as desculpas servem.

contudo, quer-me parecer que só não o pomos em marcha porque, na verdade, não somos assim tão bons...

const3.blogspot.com

Convido-vos a visitar.
não é nada de especial mas, uma vez que tinha que fazer um trabalho, mais vale deixá-lo à vista de todos do que apenas à consideração do assistente.

sábado, abril 28, 2007

Resposta ao desafio do blog ipsisverbis.blogspot.com

7 coisas que faço bem (ou que tento fazer bem):
- ouvir
-beber
-o nó da gravata
-divagar
-fugir de compromissos
-arranjar sarilhos
-encomendar comida

7 coisas que não faço (ou não sei fazer):
-ser cínico
-passar camisas a ferro
-exercício
-seguir uma linha pré-definida
-abstrair-me dos problemas dos outros
-esquecer-me das responsabilidades
-fazer o jantar

7 coisas que me atrem no sexo oposto:
-o desafio
-a personalidade
-o sorriso
-o traseiro
-a frente
-a "putice"
-o saber cozinhar

7 coisas que digo frequentemente:
-"coiso..."
-"fodasse..."
-"pó caralho..."
-"isso é fixe..."
-"quer dizer..."
-"podia ser pior..."
-"podes contar comigo..."

7 actores ou actrizes:
-sean connery
-pierce brosnan
-anthony hopkins
-marcia cross
-angelina jolie
-jodie foster
-monica bellucci

Desafiar outros 7:
-delirantementefeliz.blogspot.com
-palavrasquevoam.blogspot.com
-maniadosucesso.blogspot.com
-kemoalquimista.blogspot.com
-www.gatofedorento.blogspot.com
-jumpkid.blogspot.com
-barvelho.blospot.com

quinta-feira, abril 26, 2007

inside

há coisas que são complicadas de tirar da cabeça.
há coisas que são difíceis de tirar da cabeça.
há coisas que são impossíveis de tirar da cabeça.
por muito que se tente, estão sempre lá. não digo que para nos atormentar, mas a marcar uma presença que se pode tornar incómoda.
porque não saem da cabeça? não sei bem. às vezes, porque são fortes, porque teimam em não ir embora, porque continuam a existir, mesmo que sejam apenas uma voz baixa e rouca que continuamos a ouvir.
outras, pelo simples facto de não querermos que se vão embora, porque insistimos para que se mantenham conosco.
são essas que mais me assustam.
afinal de contas, se algo não se vai embora porque não vai, ultrapassa o nosso poder. não podemos fazer nada, não podemos lutar.
agora, se não partem porque não conseguimos lutar contra elas, porque insistimos para que continuem aqui, conosco, dentro de nós, então, estamos perante uma grave situação.
se, nas primeiras, temos que nos resignar, nas segundas, entramos em conflito conosco.
sabemos que têm de se ir embora, mas não deixamos. não queremos deixar, não podemos deixar.
mas se isso nos faz mal, porque o fazemos? fácil, pelo medo do vazio, pelo medo de não haver nada que prencha aquele espaço, pelo medo que aquilo, afinal, não seja assim tão mau.
acontece a todos, numa, ou noutra altura e é isso que nos corrói, que nos corrompe, que nos vence. não essas coisas que não vão embora, mas nós próprios.
é essa a nossa grande luta: a luta interior do homem contra esse próprio homem.
e é, provávelmente, a luta mais perigosa que alguma vez vamos travar. afinal de contas, como posso eu lutar comigo próprio e vencer?

segunda-feira, abril 23, 2007

e assim foram quatro anos...
foi a minha relação mais longa com o que quer que fosse. nem numa casa consegui aguntar tanto tempo...
quatro anos é muito tempo. já estava habituado, já não era novidade.
"mas porquê mudar?". bem, para melhor, muda-se sempre, como diz o outro, "mas tu não mudaste para melhor", dizem muitos. " a idade não te faz confusão?" perguntam sempre.
bem, na verdade, a idade nunca tem grande coisa
a ver.
quando se quer algo, não é a idade o motivo nos demove. talvez o sentimento de mdo de ficar "apeado no meio da estrada", mas não a idade.

sexta-feira, março 23, 2007

jagger was right


jagger tem razão.


"you can't allways get what you you want, but, if you try sometimes, you get what you need".


Sempre achei que a lírica desta canção era um pouco, vá, para o deprimente.

Afinal de contas, que raio de conselho é este que nos diz que nem sempre conseguimos o que queremos? pessoalmente, era um pouco deitar abaixo os sonhos de alguém, mantê-lo agarrado a um mundo terreno, um chão duro e um realidade que não nos permite sonhar com voos mais altos.

era a mesma coisa que dizer que nunca teremos aquele emprego, aquele carro, aquela mulher, aquele filho, aquele cabelo que sempre sonhamos ter.

assim, cada vez que entrava no carro e ouvia aquela música, dava comigo a andar devagarinho. não porque a música me acalmava, mas porque me deprimia "like hell".


and then, algo mudou.


não há muito tempo, eu queria tudo. queria o céu e o inferno, queria o sucesso desmesurado e queria aquilo que não podia ter.

quando vi que o meu projecto, a minha ambição, a minha demanda ia falhar, fiquei ainda mais deprimido porque vi que não ia alcançar aquele ponto, aquele pico, aquele...nirvana.

não teria o sucesso que estava à espera, não teria a ovação que ambicionava.

de facto, não aconteceu assim, mas aconteceu.

tentei de tudo, fiz tudo. admito que suei, admito que me preocupei, mas o sucesso veio.

não da forma desmesurada que eu sonhava, não com a enchente que eu queria, não com o sentido que eu queria que fosse.

aconteceu de forma diferente. não de uma forma pior. apenas diferente.

o sonho acabou por se realizar. de uma forma mais comedida, mas aconteceu.

no ínicio, estava lá o sentimento de derrota mas, ao longo do tempo, comecei a ver o sonho a realizar-se. comecei a sorrir, comeceia aceitar.

foi muito bom. diferente do que estava à espera, mas muito bom.

sorri, brilhei e o mundo era outra vez meu.

nesse dia, voltei para casa e lá estava jagger no rádio. lá estva a música que me deprimia, mas não o fez desta vez.

pela primeira vez, percebi a quela lírica. nesse dia, voltei devagarinho para casa. não porque estava deprimido, mas porque estava realizado.

podemos nem sempre ter o que queremos. agora vejo isso, porque o que queremos pode ser demasiado para nós, podemos não aguentar, podemos derreter as nossas asas de cera a caminho do sol, mas se tentarmos, se sonharmos moderadamente, se nos dedicar-mos um bocadinho, nós conseguimos aquilo de que precisamos.

jagger was right. you can't allways get what you want, but if you try, sometimes, you get what you need.

terça-feira, fevereiro 20, 2007


abri uma garrafa. já há muito tempo que nadava andava a precisar disto.
não que não houvesse oportunidade de apanhar um pifo, mas porque há muito tempo que não conseguia cumprir este ritual.
sim, para mim, é um ritual. a espera e a expectativa, o escolher do vinho certo e o abrir da garrafa.
para mim tudo isso é um ritual, tal como fumar um charuto.
bebo-a sozinho e, se não a fizer, fico chato.
muitos dirão que é triste essa mania de beber sozinho. não acho que seja assim.
nós bebemos em público, náo por nós, mas pela aceitação dos outros, parar sermos reconhecidos no grupo. não vejo as coisas assim. quando abro uma garrafa, não a torno a fechar até que esteja vazia, assim como a bebo sozinha pois, no meu entendimento, é um privilégio beber com a pessoa de quem gostamos. assim, bebo sozinho porque sou a pessoa em quem mais confio.
a garrfa já está quase vazia. tão bom este ritual onde nos esquecemos que existe um mundo lá fora, onde não existem problemas para além daqueles que escolhemos ter.
às vezes, neste estado, vejo como é boa a vida de um sonhador pois, este, tal como o bebado, também se abstrai de um mundo que o magoa. somos felizes neste estado. é essa a verdade.
ah, como desejo eu estar constantemente neste estado. não posso, mas desejo-o. está tudo bem, ninguém chateia, ninguém julga pois esse mundo é nosso. mas não é o que acontece. temos que voltar à dura realidade.
por isso, gosto destes momentos programados para beber, pois são esses momentos que me fazem esquecer que sou humano como os outros.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

egoísmo

ás vezes, ponho-me a pensar em coisas estupidas.
bem,nesses momentos, lembrei-me das palavras de uma amiga minha. qualquer coisa sobre a perda e sobre a falta que os outros nos fazem.
depois das palavras dela, fiquei, de facto, com a dúvida: "porque é que sentimos saudades dos outros. é por eles,ou será, antes, por nós?"
bem, a resposta é simples e egoista: "é por nós".
de facto, nós só sentimos a falta daqueles que nos dizem algo, daqueles que nos tocaram, daqueles que nos fazem falta. e reparem, eu uso o termo "nos" com um sentido. é que até podemos fazer falta a alguém, podemos ser tudo para alguém, podemos, até, ser o centro do mundo para alguém mas, se esse aguém não nos fizer falta, se não nos tocar, se não nos dizer akgo, então esse alguém vai sentir a nossa falta, mas nós nem vamos dar pela falta dessa pessoa, não vamos falar dela, não vamos, sequer, ter um impulso de ir ao seu encontro.
isto é uma forma muito egoísta de evr as coisas mas, certamente, é a forma mais lógica.
por muito boas pessoas que sejamos, todos nós somos egoístas, todos nós sentimos um impulso para colocar as nossas necessidades à frente das dos outros.
isto não é mau. muito pelo contrário. sinceramente, não sei se consigo sentir saudades de alguém que não põe os seus sentimentos à frente dos meus pois sei que essa falta de egoísmo é, acima de tudo, uma falta de qualquer tipo de ambição. seria a mesma coisa que sentir a falta de uma ameba.
mas enfim, não vamos divagar mais. voltemos à parte do egoísmo. é esse egoísmo que nos move e é esse egoísmoq que nos faz mover. e não me venham com essa história de "ai eu não. eu não sou minimamente egoísta". meus amigos, só tenho para vos dizer: ou são completamente normais, ou são uns grandessíssimos mentirosos. não me venham dizer que não olham primeiro para vocês e só depois para os outros. não me digam que, se virem uma nota perdida no chão, a vão deixar lá para que o próximo a passar fique com ela.
não é assim que as coisas funcionam. não é assim que nós funcionamos.
nós sentimos a falta dos outros por sermos egoístas, nós vivemos porque somos egoístas. podemos ser muito, podemos ser pouco, mas somos.
é assim que funcionam as coisas. é a lei da vida

terça-feira, fevereiro 13, 2007

liberdade de expressão!

chegou ao meu conhecimento, através de terceiro, que este blog é considerado ofensivo.
ao que parece, existem pessoas que se ofenderam com estas minhas húmildes palavras e spbre as diversas considerações da minha vida e, ao que parece, da deles.
meus "amigos", a única resposta é esta: "TODOS PRÓ CARALHO, ESTOU-ME A CAGAR PARA O QUE VOCÊS PENSAM".
tomei café, hoje, com uma pesoa amiga. ao que parece, alguém, cujo nome não vou dar, contou-lhe que a ofendi ( a essa pessoa incógnita) nestas páginas demonstrando, assim, uma falta de maturidade extrema.
pois bem, não estou interessado no que essa pessoa diz.
afinal de contas, este blog, mais do que vos distrair por uns momentos, serve para expressar a minha visão da vida, os meus pensamentos e os episódios da minha vida que, na MINHA opinião, velem a pena ser contados.
depois, não sei se algum dos leitores já reparou mas, à excepção do post dedicado à minha amiga ALEXANDRINA e para o qual obtive uma autorização prévia, nenhum dos restantes posts faz qualquer referência a nomes que possam identificar a pessoa de quem falo.
assim, se alguém vem dizer que eu o(a) ofendi no meu blog, em posts que não comportam qualquer nome ou referencia especifica, então, quer-me parecer que existe uma certa sede de protagonismo. não que seja mau. muito gente sofre do mesmo mal, mas se vem dizer que post x fala de pessoa y sem que o mesmo identifique essa pessoa, quer-me parecer que está à procura de uma luz na ribalta. só pode porque, para falar mal de mim, os meus leitores já devem ter percebido que o consigo fazer sozinho.
ora, se eu não falo dessa pessoa em concreto, porque raio não hei-de dizer o que me vai na alma?
é que, afinal, ainda existe aquela coisa...como é que se cahama,mesmo?...humm,...ah, já sei: LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
pois, se existe liberdade de expressão e, como diz um amigo meu, se "as opiniões são como as vaginas:cada um tem a sua e dá-a a quem quer", porque raio não posso eu postar o que quiser?
sinceramente, para aqueles que se sentem ofendidos, se calhar "até vos serve a carapuça" mas, uma vez que eu não vos identifico, se não querem ser referidos, pá, estejam calados e ninguém sabe quem vocês são.
se, mesmo assim, continuam com o dói-dói, bem, a minha caixa de comments não comporta censura de nenhuma forma pelo que poem aí exercer o "vosso" direito ao contraditório.
se não a querem utilizar,bem, também sabem todos quem sou eu e onde me podem encontrar para tirar as vossas teimas.
agora, se acham que o blog é ofensivo, bem, só vos posso dizer que o blog é meu e aqui escrevo o que vejo, o que sinto mas, acima de tudo, AQUILO QUE QUERO!!!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

podre


tenho saudades de casa. não são saudades daquelas em que queremos ver a família o mais depressa possível.
são, antes, aquelas saudades de quem se quer ir embora e começar uma nova vida.
não, não estou deprimido, não andoa beber para esquecer ou sequer a pensar em desistir do curso.
simplesmente, quando este acabar, apetece-me sair daqui, voltar às minhas origens e mudar de ambiente.
a minha terra é linda. sim, eu sei que é isso que toda a gente diz e que é só para passar férias porque não conseguimos viver longe de lisboa.
não é disso que falo. quero voltar lá para cima, quero trabalhar lá, viver lá, quem sabe, ser feliz por lá.
a esta hora, já não conheço ninguém por aquelas bandas. sabem que mais? óptimo, é mesmo isso que um gajo precisa para se poder recomeçar tudo.
quando ceguei cá, era um míudo. tinha sonhos e ambições.
bem, as ambições ainda cá estão. os sonhos é que se desvaneceram.
lisboa faz-nos disto. se, para além disso, andarmos na fdl, está o caldo todo entornado.
uma faculdade de direito, a melhor do país, com os melhores professores e com os melhores assistentes. não é assim que a vejo. a imagem que passam é exactamente isso: uma imagem, daquelas que se passam numa brochura de publicidade. mas não é assim que se passam as coisas. a ética, por lá, não existe. a diligência, muito menos, e todos confiam num nome que há muito está morto.
mas não posso culpar a faculdade. ela é, pura e simplesmente, um reflexo das pessoas que lhe dão vida. ela é o fruto de uma sociedade e a cara de uma gente. se a sociedade à sua volta não é melhor, porque raio havia de ser a faculdade uma ilha nesse mar de filha-da-putice?
não tem. ela é o fruto da sua época.
de facto, o meu problema não é com ela, nem com as suas gentes.
o meu problema é com este interminável ciclo em que os valores já não são atendidos, a ética não é respeitada e a lei não passa de uma trave que facílmente se levanta.
por isso me quero ir embora, antes que seja consumido por este sistema, antes que me faltem as forças para resistir, antes que me deixe deliciar por este sistema corrupto que neste idade habita.
quero-me pôr a milhas, para o meu bem. uero ir para um sítio mais simples, daqueles sítios onde as coisas ainda são como as vemos. é isso que eu quero.
acredito que este post ofenda muita gente. compreendo perfeitamente, mas não estou, sinceramente, peocupado com isso. afinal de contas, o blog é meu, assim como a opinião.
se não gostam, existe a caixa dos comments onde podem exercer o vosso direito do contraditório ou, ainda, o direito de não comentarem e presentear-me, assim, com a vossa indiferença. é-me igual.
agora, que esta cidade está podre, só não vê quem não quer, ou quem não lhe convém.

domingo, fevereiro 11, 2007

VERITAS

"And the truth shall set you free."

sábado, fevereiro 10, 2007

o ciclo


a vida é, de facto, um ciclo vicioso.
"sim, grande novidade que tu nos trazes...sempre podias dizer algo que não fosse tão óbvio, não?" dirão os poucos, mas bons, ou talvez não, leitores deste sítio de quem não tem mais nada que fazer, mas, enfim, o blog é meu, escrevo que me vem à cabeça.
contudo, não deixa de ser engraçada esta constatação. é que, normalmente, as pessoas veem a vida (ou direi,antes, mísera existência?) como um conjunto de reacções em cadeia: "toda a acção comporta uma reacção" dizem eles com o rei na barriga.
lamento, mas, nesta minha humilde ignorância, só vos posso dizer que estão redondamente enganados. na verdade, a vida é composta por essas reacções, mas não com essas pessoas.
assim, em vez de alguém nos fazer algo, digamos, um profundo desgosto amoroso, não quer dizer que os nossos actos vão incidir sobre essa pessoa que nos magoou, traumatizou, ou coisas assim.
não, os nossos actos, frustrações, medos e inseguranças formam a bela de uma armadura afectiva que se vai reflectir na próxima desgraçada que nos apareça à frente.
é isto injusto? sem dúvida. vamos magoar alguém, ainda que sem essa intenção? óbvio que sim.
vamos lixar essa nova relação? tão certo como a morte.
e para quem ainda não tinha percebido, no nosso ciclo de intervenientes, já chegamos àquele terceiro que, segundo a "doutrina tradicional da acção-reacção", não deveria para aí ser chamado.
mas como a vida não é regida por essas teorias fixas, esse terceiro, ainda que inadvertidamente, vai fazer tudo aquilo que se queixava no segundo mas para com um quarto, e por aí adiante.
"bem, por esta perspectiva, estamos todos condenados a tornar-nos em valentes cabrões e audaciosas putas", já diz o leitor.
não, isso já não é verdade. é que, de facto, essa faceta de cabrões e putas sempre existiu dentro de nós. sempre lá esteve, umas vezes, bem a descoberto, outras, adormecida à espera desse fusível para nos iniciar. mas descansem, nem tudo está perdido. ainda existe, por aí, algures, ouvi dizer, gente que consegue controlar essas facetas.
sinceramente, não sou uma delas.
a vida é um ciclo vicioso e não há grande coisa a fazer.
o melhor conselho que vos dou é que apreciem a viagem enquanto dura. pode ser que até seja eterna...por seis meses.